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Espaço de partilha e divulgação das atividades da Biblioteca Escolar da Escola Secundária José Saramago - Mafra
Regressa em 1826 a Portugal e passa a participar na vida política. Em 1828 é obrigado a exilar-se novamente em Inglaterra devido ao curso do País com a guerra civil, no decurso das posições de D. Miguel. Em 1832, na Ilha Terceira,1832, integra o exército liberal de D. Pedro IV e participa no cerco do Porto. Exerceu funções diplomáticas em Londres, em Paris e em Bruxelas.
Em 1836, torna-se Inspetor-geral dos Teatros e funda o Conservatório de Arte Dramática e o Teatro Nacional. A partir de 1842, com a ditadura de Costa Cabral, Almeida Garrett torna-se marginal à vida política e inicia o período mais produtivo da sua vida literária.
A partir da década de 1850, com Fontes Pereira de Melo, será nomeado visconde e
desempenha a função de Ministro dos Negócios Estrangeiros. É sem dúvida um
dos expoentes do romantismo português e um escritor que, entre géneros
diversos, inovou na composição dos mesmos.
"Ora eu, que sou
ministerial do Progresso, antes queria a oposição dos frades que a dos barões.
O caso estava em a saber conter e aproveitar. O Progresso e a Liberdade perdeu,
não ganhou. Quando me lembra tudo isto, quando vejo os conventos em ruínas, os
egressos a pedir esmola e os barões de berlinda, tenho saudades dos frades -
não dos frades que foram, mas dos frades que podiam ser. E sei que me não
enganam poesias; que eu reajo fortemente com uma lógica inflexível contra as
ilusões poéticas em se tratando de coisas graves.
Almeida
Garrett, Viagens na Minha Terra.
FICHA TÉCNICA
Estou sentada em cima da minha mochila,
o vagão trepida, as crianças dormem e os velhos velam, e eu vou no
transporte e penso que tenho de te ajudar, meu Deus. Tu não tens forças para
nos socorrer, por isso eu preciso de vir em teu socorro. Porque tu estás
reduzido a tão pouco, e não podes valer a todos, então eu preciso de te dar as
minhas forças. Precisas de ajuda, meu Deus, porque estás ferido e exangue.
Precisas que eu trate de ti, que te vele, que te dê um pouco do calor que guardo
em mim, dentro das camisolas de lã. Que eu guarde este calor por ti, dentro de
mim.
Deixa-me agora ser o coração do vagão,
meu Deus.
Estão demasiado cansados, mal conseguem
falar. Mas se eu levar o meu pensamento pela noite fora, toda a viagem de
comboio, até ao fim, é como se guardasse um pouco de calor, intacto, por nós
todos. Deixa-me guardar o resto do pensamento. Mesmo a tremer, mesmo a
cair de cansaço ainda hei-de conseguir um pouco de força para te amparar. (...)
Espreito pela frincha, o ar entra, tudo está morto. Montanhas e florestas.
Uma pequena força dentro de mim.