sábado, 4 de novembro de 2023

Literacia da Informação - modelos de pesquisa

O Big 6

Os modelos de pesquisa de informação permitem organizar a informação e apresentar um trabalho, ou fazer o estudo de um tema, de um modo mais simples e funcional. O modelo de pesquisa de informação é o Big 6 - tem este nome porque é organizado em seis etapas. Ele é organizado em seis etapas:
1. Definição; 
2. Estratégias de pesquisa de informação;
 3. Localização e acesso da informação;
4. Utilização da informação; 
5. Síntese; 
6. Avaliação.
 

 
Etapas do Big 6: 

1. Definição
1.1. (definir o problema de informação). Exemplo: Elaboração de um cartaz!
1.2. Identificar as informações: 
  • qual a função do cartaz;
  • qual o conteúdo da mensagem?
  • a quem se destina?
  • quais os elementos a incluir (palavras / imagens / cores)
  • como vai ser apresentado? (em que suporte).
2. Estratégias de pesquisa de informação
2.1. Estabelecer um plano de trabalho;
2.2. Identificar as informações necessárias (recursos a consultar e fontes bibliográficas);

3. Localização e acesso
3.1 Onde encontrar as fontes necessárias;
3.2. Localizar a informação dentro dessas fontes.

4. Utilização da informação
4.1. Selecionar a informação (do que foi encontrado, o que importa escolher)?
4.2. Encontrar palavras-chave; formular algumas perguntas.
4.3. Organizar essas informações (resumos, esquemas, retirar notas, procurar imagens);

5. Síntese
5.1. Como vou organizar as ideias que encontrei? Que forma lhe vou dar? Como as vou apresentar?
5.2. É um texto (como vou compor a ligação das palavras e do texto; é um cartaz - como escolho as palavras e as cores? que composição vou construir; que tipo de formatação tem o texto?

6. Avaliação
6.1. Avaliar o que foi feito. Respondo às questões formuladas. O trabalho integra ideias contempladas nas palavras-chave? As respostas que dei no trabalho respondem ao que tentei formular?
6.2. Aprendi algo com o trabalho? Fiquei satisfeito com o resultado que formulei sobre o problema a estudar?

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

O autor do mês - novembro

 José Saramago tornou-se num nome universal da literatura e depois que partiu deste mundo, sem dúvida que as suas palavras, a sua geografia interior tornou-se uma paisagem. O Prémio Nobel deu-lhe mais repercussão, naquilo que como homem quis dizer sobre o mundo. A literatura portuguesa cresceu muito com esse prémio e essa também é uma das consequências do seu reconhecimento pelas palavras e por uma consciência crítica que quis partilhar com quem o leu e ouviu.

A sua obra é no essencial a sua assinatura obre o que foi, o que procurou ser e o que nos tentou mostrar como sendo o seu olhar. E nessa obra cativante e ou polémica encontramos as palavras, ferramentas que José Saramago procurou usar ao serviço de uma escrita que se possa encontrar com o que somos como humanidade, o que  nos limita, que sonhos temos e que fundo nos modela.

Acima das palavras, das emoções, do desenho ético e ideológico das ações, de que substância somos feitos? A sua obra evoluiu entre o edifício das palavras e a arquitetura do cinzel que busca a essência interior do homem. A sua escrita foi definida em características muito próprias, diversas vezes narrando como se o discurso fosse do nível oral e propusesse uma longa conversa. E denunciou uma crescente falta de humanidade de um mercantilismo destrutivo, cujos contornos se agravaram.

Vale a pena recordá-lo nas suas próprias palavras, neste mês que será destacado de modo especial a sua obra e a sua voz.

"(...) amarga-me a boca a certeza de que umas quantas coisas sensatas que tenha dito durante a vida não terão, no fim de contas, nenhuma importância. E porque haveriam de tê-la? Que significado terá o zumbido das abelhas no interior da colmeia? Serve-lhes para se comunicarem umas com as Outras? Ou é um simples efeito da natureza, a mera consequência de estar vivo, sem prévia consciência nem intenção, como uma macieira dá maçãs sem ter que se preocupar-se se alguém virá ou não comê-las?

E nós? Falamos pela mesma razão que transpiramos? Apenas porque sim? O suor evapora-se, lava-se, desaparece, mais tarde ou mais cedo chegará às nuvens. E as palavras? Aonde vão? Quantas permanecem? Por quanto tempo? E, finalmente, para quê? São perguntas ociosas, bem o sei, próprias de quem cumpre 86 anos. 

Ou talvez não tão ociosas assim se penso que meu avô Jerónimo, nas suas últimas horas, se foi despedir das árvores que havia plantado, abraçando-as e chorando porque sabia que não voltaria a vê-las. A lição é boa. Abraço-me, pois, às palavras que escrevi, desejo-lhes longa vida e recomeço a escrita no ponto em que tinha parado. Não há outra resposta."


Leituras...

As ideias podem fazer nascer mundos, criar possibilidades onde antes algo não compreendíamos, ou não pensávamos possível. As palavras não servem só para exprimir ideias, servem também para criar mundos, entender ou desvendar mistérios. A escrita não resulta quase nunca de uma inspiração, mas de um trabalho do pensar sobre essa essência interior de cada um. Valter Hugo Mãe criou com a sua obra, a possibilidade de amorosamente vermos no outro uma possibilidade de encontro.

 "O meu avô sempre dizia que o melhor da vida haveria de ser ainda um mistério e que o mais importante era seguir procurando. Estar vivo é procurar, explicava. Quase usava lupas e binóculos, mapas e ferramentas de escavação, igual a um detective cheio de trabalho e talentos. Tinha o ar de um caçador de tesouros e, de todo o modo, os seus olhos reluziam de uma riqueza profunda. Percebíamos isso no seu abraço. Eu dizia: dentro do abraço do avô. Porque ele se tornava uma casa inteira e acolhia-nos. (...)

Eu sei que ele queria chamar a atenção para a importância de aprender. Explicava sempre que aprender é mudar de conduta, fazer melhor. Quem sabe melhor e continua a cometer o mesmo erro não aprendeu nada, apensas acedeu à informação. Ele achava que dispomos de informação suficiente para termos uma conduta mais cuidada. Elogiava constantemente o cuidado. Era um detective de interiores, queria dizer, inspecionava sobretudo sentimentos. Quando lhe perguntei porquê, ele respondeu que só assim se falava verdadeiramente acerca da felicidade. Para estudar o coração das pessoas é preciso um cuidado cirúrgico. (...)

Nesse tempo, o meu avô perguntou-me quais seriam as mais belas coisas do mundo. Eu não soube o que dizer. (...) Ele sorriu da minha resposta e quis saber se não haviam de ser a amizade, o amor, a honestidade, e a generosidade. Ponderou se o mais belo do mundo não seria fazer-se o que se sabe e pode para que a vida de todos seja melhor. (...)

Eu entendi que o meu avô era como todas as mais belas coisas do mundo juntas numa só. E entendi que fazer-lhe justiça era acreditar que, um dia, alguém poderia reconhecer a sua influência em mim e, talvez, considerar de mim algo semelhante. Com maior erro ou virtude, eu prometi tentar. À noite, deito-me como uma semente na almofada húmida do coração. Fico aninhado com a esperança de crescer esplendorosamente por dentro do amor. No verdadeiro amor tudo é para sempre vivo. E sei que, como as pedras, vivo da sede.

Quero sempre inventar a vida."

As mais belas coisas do mundo / Valter Hugo Mãe. (2010). Lisboa: Alfaguara.

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Encontro na Biblioteca

 No âmbito da disciplina de Inglês, os alunos da ESJS estiveram na Biblioteca da escola para ler e dramatizar textos de autor ou da sua autoria.

No final, ocorreu um mini-debate sobre a importância da leitura na intervenção dos jovens no mundo, enquanto cidadãos.
Participaram as turmas: 10 CT4, 10 CT5, 10 LH1 e 11LH2". 
 

Criatividade e Aprendizagem

 


Ken Robinson foi uma figura inspiradora para a mudança significativa que a educação necessita, enquanto sistema formativo em si, mas também como elemento de possível felicidade para as pessoas e de transformação com significado com a sociedade. As suas apresentações em diversas plataformas evidenciaram um conjunto de mudanças que precisamos pensar. Algumas das suas palavras e um dos vídeos sobre uma das suas estimulantes ideias.

"Estamos a educar crianças e jovens desprovidas de criatividade. Que ferramentas usarão no futuro? É essencial repensar os princípios sobre os quais assentam os sistemas educativos!

Sou de opinião que a criatividade é hoje tão importante na educação quanto a alfabetização e que deveríamos tratá-la com a mesma importância. As crianças assumem riscos e perante o que lhes é colocado respondem. Elas não têm medo de errar. O que sabemos é que, quem não está preparado para errar, nunca poderá ter uma ideia original. E quando se tornam adultas, a maioria já perdeu essa capacidade. E adquirem o medo, pavor de errar. 

A sociedade, as empresas estigmatizam os erros. No momento vivemos em sistemas educativos nacionais em que os erros são a pior coisa que se pode fazer. E o resultado é que estamos produzindo indivíduos desprovidos de criatividade. E acredito que se não crescemos com ou rumo à criatividade, vamos para longe dela. Ou melhor somos ensinados a abandoná-la. (...)

Temos de repensar os princípios fundamentais nos quais baseamos a educação. Há que celebrar o dom da imaginação humana. Temos de ter cuidado para usar esse dom com sabedoria, e assim ultrapassar o estado em que estamos. E a única forma de fazermos isso é encarar as nossas capacidades criativas como a riqueza que representam e, encarar as nossas crianças e jovens como a esperança que representam. E a nossa tarefa é educá-las em todo o seu ser, para que elas possam enfrentar esse futuro. E o nosso trabalho é ajudá-las a tirar algo de bom dele. (Ken Robinson)

Duas das suas apresentações (Ken Robinson, Do Schools kill creativity / Bring on the learning revolution.


terça-feira, 24 de outubro de 2023

Boletim Bibliográfico

                                                                                     Valter Hugo Mãe

(Acessível como pdf no link acima e no QR-Code)

Os livros do mês - outubro - IV


Louise Glück foi prémio Nobel da Literatura em 2020 e deixou-nos fisicamente nos primeiros dias de outubro. Deu pela poesia uma voz à existência humana falando-nos da efemeridade no interior de uma universalidade que é a experiência humana e essa relação com o Natural, nessa dimensão de magia e de mistério. Há na sua poesia o encanto pelo natural, mas também pelas suas referências familiares, pela dor que está na vida, mas também os temas da da consciência, da infância, dos mitos e dos motivos clássicos. Deixamos um dos seus poemas, de Íris Selvagem

"Vá, diz o que pensas. O jardim
não é o mundo real. O mundo real
são as máquinas. Diz abertamente o que qualquer tonto
pode ler no teu rosto: que faz sentido
evitar-nos, resistir
à nostalgia. Não é
muito moderno o som que o vento faz
ao agitar um campo de margaridas:
a mente não consegue brilhar ao segui-lo.
E a mente deseja brilhar, simplesmente,
como brilham as máquinas, não
crescer até ao fundo como, por exemplo, as raízes. Ainda assim,
é muito comovente ver como te aproximas com cuidado
da orla do prado, de manhãzinha,
quando ninguém te vê. (...)
Ninguém quer ouvir
as impressões do mundo natural."

Glück, L. (2020). A Íris Selvagem. Lisboa: Relógio D´Água.