O Big 6
- qual a função do cartaz;
- qual o conteúdo da mensagem?
- a quem se destina?
- quais os elementos a incluir (palavras / imagens / cores)
- como vai ser apresentado? (em que suporte).
Espaço de partilha e divulgação das atividades da Biblioteca Escolar da Escola Secundária José Saramago - Mafra
José Saramago tornou-se num nome universal da literatura e depois que partiu deste mundo, sem dúvida que as suas palavras, a sua geografia interior tornou-se uma paisagem. O Prémio Nobel deu-lhe mais repercussão, naquilo que como homem quis dizer sobre o mundo. A literatura portuguesa cresceu muito com esse prémio e essa também é uma das consequências do seu reconhecimento pelas palavras e por uma consciência crítica que quis partilhar com quem o leu e ouviu.
A sua obra é no essencial a sua assinatura obre o que foi, o que procurou ser e o que nos tentou mostrar como sendo o seu olhar. E nessa obra cativante e ou polémica encontramos as palavras, ferramentas que José Saramago procurou usar ao serviço de uma escrita que se possa encontrar com o que somos como humanidade, o que nos limita, que sonhos temos e que fundo nos modela.
Acima das palavras, das emoções, do desenho ético e ideológico das ações, de que substância somos feitos? A sua obra evoluiu entre o edifício das palavras e a arquitetura do cinzel que busca a essência interior do homem. A sua escrita foi definida em características muito próprias, diversas vezes narrando como se o discurso fosse do nível oral e propusesse uma longa conversa. E denunciou uma crescente falta de humanidade de um mercantilismo destrutivo, cujos contornos se agravaram.
Vale a pena recordá-lo nas suas próprias palavras, neste mês que será destacado de modo especial a sua obra e a sua voz.
"(...) amarga-me a boca a certeza de que umas quantas coisas sensatas que tenha dito durante a vida não terão, no fim de contas, nenhuma importância. E porque haveriam de tê-la? Que significado terá o zumbido das abelhas no interior da colmeia? Serve-lhes para se comunicarem umas com as Outras? Ou é um simples efeito da natureza, a mera consequência de estar vivo, sem prévia consciência nem intenção, como uma macieira dá maçãs sem ter que se preocupar-se se alguém virá ou não comê-las?
E nós? Falamos pela mesma razão que transpiramos? Apenas porque sim? O suor evapora-se, lava-se, desaparece, mais tarde ou mais cedo chegará às nuvens. E as palavras? Aonde vão? Quantas permanecem? Por quanto tempo? E, finalmente, para quê? São perguntas ociosas, bem o sei, próprias de quem cumpre 86 anos.
Ou talvez não tão ociosas assim se penso que meu avô Jerónimo, nas suas últimas horas, se foi despedir das árvores que havia plantado, abraçando-as e chorando porque sabia que não voltaria a vê-las. A lição é boa. Abraço-me, pois, às palavras que escrevi, desejo-lhes longa vida e recomeço a escrita no ponto em que tinha parado. Não há outra resposta."
Eu sei que ele queria chamar a atenção para a importância de aprender. Explicava sempre que aprender é mudar de conduta, fazer melhor. Quem sabe melhor e continua a cometer o mesmo erro não aprendeu nada, apensas acedeu à informação. Ele achava que dispomos de informação suficiente para termos uma conduta mais cuidada. Elogiava constantemente o cuidado. Era um detective de interiores, queria dizer, inspecionava sobretudo sentimentos. Quando lhe perguntei porquê, ele respondeu que só assim se falava verdadeiramente acerca da felicidade. Para estudar o coração das pessoas é preciso um cuidado cirúrgico. (...)
Nesse tempo, o meu avô perguntou-me quais seriam as mais belas coisas do mundo. Eu não soube o que dizer. (...) Ele sorriu da minha resposta e quis saber se não haviam de ser a amizade, o amor, a honestidade, e a generosidade. Ponderou se o mais belo do mundo não seria fazer-se o que se sabe e pode para que a vida de todos seja melhor. (...)
Eu entendi que o meu avô era como todas as mais belas coisas do mundo juntas numa só. E entendi que fazer-lhe justiça era acreditar que, um dia, alguém poderia reconhecer a sua influência em mim e, talvez, considerar de mim algo semelhante. Com maior erro ou virtude, eu prometi tentar. À noite, deito-me como uma semente na almofada húmida do coração. Fico aninhado com a esperança de crescer esplendorosamente por dentro do amor. No verdadeiro amor tudo é para sempre vivo. E sei que, como as pedras, vivo da sede.
Quero sempre inventar a vida."
No âmbito da disciplina de Inglês, os alunos da ESJS estiveram na Biblioteca da escola para ler e dramatizar textos de autor ou da sua autoria.
"Estamos a educar crianças e jovens desprovidas de criatividade. Que ferramentas usarão no futuro? É essencial repensar os princípios sobre os quais assentam os sistemas educativos!
Sou de opinião que a criatividade é hoje tão importante na educação quanto a alfabetização e que deveríamos tratá-la com a mesma importância. As crianças assumem riscos e perante o que lhes é colocado respondem. Elas não têm medo de errar. O que sabemos é que, quem não está preparado para errar, nunca poderá ter uma ideia original. E quando se tornam adultas, a maioria já perdeu essa capacidade. E adquirem o medo, pavor de errar.
A sociedade, as empresas estigmatizam os erros. No momento vivemos em sistemas educativos nacionais em que os erros são a pior coisa que se pode fazer. E o resultado é que estamos produzindo indivíduos desprovidos de criatividade. E acredito que se não crescemos com ou rumo à criatividade, vamos para longe dela. Ou melhor somos ensinados a abandoná-la. (...)
Temos de repensar os princípios fundamentais nos quais baseamos a educação. Há que celebrar o dom da imaginação humana. Temos de ter cuidado para usar esse dom com sabedoria, e assim ultrapassar o estado em que estamos. E a única forma de fazermos isso é encarar as nossas capacidades criativas como a riqueza que representam e, encarar as nossas crianças e jovens como a esperança que representam. E a nossa tarefa é educá-las em todo o seu ser, para que elas possam enfrentar esse futuro. E o nosso trabalho é ajudá-las a tirar algo de bom dele. (Ken Robinson)
Duas das suas apresentações (Ken Robinson, Do Schools kill creativity / Bring on the learning revolution.
Louise
Glück foi prémio Nobel da Literatura em 2020 e deixou-nos fisicamente nos
primeiros dias de outubro. Deu pela poesia uma voz à existência humana
falando-nos da efemeridade no interior de uma universalidade que é a
experiência humana e essa relação com o Natural, nessa dimensão de magia e de
mistério. Há na sua poesia o encanto pelo natural, mas também pelas suas
referências familiares, pela dor que está na vida, mas também os temas da da
consciência, da infância, dos mitos e dos motivos clássicos. Deixamos um dos
seus poemas, de Íris Selvagem